Portugueses são dos que mais confiam nas notícias

62% usam redes sociais como fonte de notícias.

O Digital News Report, um relatório do Instituto da Reuters para o Estudo do Jornalismo (que funciona na Universidade de Oxford), foi divulgado nesta quinta-feira. O trabalho é conduzido por académicos nos vários países, através de um questionário a utilizadores de Internet que consomem notícias. O capítulo sobre Portugal é assinado pelos investigadores Ana Pinto Martinho e Gustavo Cardoso, do ISCTE.

Estudo analisou consumo de informação em 36 países. Em Portugal, 28% disseram bloquear publicidade online.

Os consumidores de notícias em Portugal são – num grupo de 36 países analisados num influente relatório sobre o estado dos media – dos que mais confiam nas notícias. Mas também se encontram entre os que estão menos dispostos a pagar por informação online e são dos que mais usam bloqueadores de publicidade.

Entre os consumidores em Portugal, 58% afirmaram ter confiança nas notícias, uma percentagem que fica atrás apenas do Brasil (onde é analisada apenas a população urbana) e da Finlândia.

Os investigadores notam que para este resultado pode contribuir uma “forte tradição de imprensa livre”, bem como “níveis relativamente baixos de polarização política”.

O estudo nota também que a audiência do jornal Diário de Notícias é a que tende a situar-se mais à esquerda e a do site Observador, mais à direita, muito embora as sobreposições entre os vários órgãos sejam grandes. A televisão tem uma importância superior ao que acontece na generalidade dos países europeus.

A confiança nas notícias, porém, não parece traduzir-se em receitas. Em Portugal, apenas 9% afirmaram ter pago por jornalismo online (por exemplo, através de uma assinatura), o que põe o país na 25.ª posição.

Espelhando a encruzilhada de negócio em que as empresas de media vivem, também a publicidade (a fonte de receitas tradicionalmente mais importante para as empresas de jornalismo) continua a desagradar a muitos utilizadores. Subiu ligeiramente a percentagem de utilizadores em Portugal que recorrem a bloqueadores de publicidade (que podem ser gratuitamente instalados em browsers, como o Chrome ou o Safari, e que eliminam a grande maioria dos anúncios). Entre os inquiridos, 28% disseram usar estes bloqueadores, colocando Portugal em sexto lugar de uma tabela em que o lugar cimeiro é da Grécia, onde a penetração é de 36%.

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